Já lá vão quase 100 anos desde a primeira vez que a mulher vestiu um blazer. Estávamos na década 20 quando Coco Chanel introduziu-o no guarda-roupa feminino. Naquela época, as mulheres combinavam-no com saias de pregas, – a tendência do momento – ou camisas, para as que gostavam de arriscar num estilo mais masculino.
Ainda nos anos 20, nasceu o estilo marinheiro, onde os blazers coloriram-se com riscas azuis e brancas e apertavam com botões dourados.
Após duas décadas, em pleno anos 60, Yves Saint Laurent arriscou e conquistou o mundo com o “le smoking“. Foi em 1966, nas ruas de Paris, que surgiu a mulher com brilhantina no cabelo, cigarro na mão e um smoking preto no corpo. YSL tinha despertado o lado mais androgénico da mulher e revolucionara a 100% os estereótipos. As mulheres começaram assim a vestir calças, uma atitude considerada um pouco inapropriada para aquela época.
Nove anos depois, o estilista italiano, Giorgio Armani, lançou a primeira coleção de homem e foram precisos apenas 3 anos para se tornar numa referência do vestuário masculino e feminino, tendo sido apelidado de “king of blazer”.
O blazer estava assim impregnado no ADN feminino e ao longo do tempo, foi surgindo com alguns retoques: ombros marcados, modo XL ou a moda das mangas arregaçadas, como a série famosa da década de 80, “Miami vice”, despertou.
E depois do “pied-de-poule” dos anos 30, do xadrez tartã do kilt escocês e do “vichy“, que recorda as toalhas aos quadradinhos vermelhos usadas nos piqueniques, surge o “Príncipe de Gales“. Foi, no ínicio deste inverno, que o xadrez a preto e branco tão adorado por Eduardo VII do Reino Unido animou os blazers da estação. Ombros descaídos, em trespasse, cintados ou oversized, difícil mesmo foi escolher qual o corte.
Passaram quase dez décadas, muita história foi escrita, criaram-se e reviveram-se muitas tendências mas o blazer ultrapassou todas elas e é, ainda hoje, uma peça indispensável e versátil do guarda-roupa feminino.
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